Estamos falando apenas em eleições de turno único (1998) e de primeiro turno (2002 e 2006) para o governo do Estado. Vejam e analisem:
1998:
Esperidião Amin – 1.429.982 votos
Paulo Afonso – 561.155 votos
Milton Mendes – 386.332 votos
2002:
Esperidião Amin – 1.217.059 votos
Luiz Henrique – 918.615 votos
José Fritsch – 834.385 votos
2006:
Luiz Henrique – 1.601.181 votos
Esperidião Amin – 1.073.053 votos
José Fritsch – 468.302 votos
Primeira percepção: os votos de Esperidião Caíram de eleição para eleição. Seu carisma, ficou provado, cansou o eleitor.
Segunda percepção: os votos de Paulo Afonso, em 1998, nem chegaram perto dos seus votos em 1994 (1.288.044 votos), quando venceu Ângela no segundo turno. Em comparação com os votos conquistados na eleição seguinte por Luiz Henrique pode significar o desgaste de Paulo Afonso e a “novidade” Luiz Henrique, mas ambos comprovam uma coisa: o eleitorado do PMDB não é constante na hora do voto.
Na reeleição de 2006, Luiz Henrique levou 1.601.181 votos no primeiro turno. A tendência seria aumentar ainda mais sua vantagem no segundo, como, aliás, ele mesmo chegou a profetizar. No entanto, cresceu apenas cerca de 84 mil votos, enquanto Amin cresceu cerca de 440 mil, graças à adesão dos militantes petistas à sua campanha.
Essa adesão dos petistas comprova a fidelidade dos votos do partido, inobstante a adversidade do apoio a um candidato que não lhe reza na cartilha e nem se afina com seus pendores ideológicos. Mas ficam, historicamente, num limite muito abaixo da possibilidade de uma ponta de tabela.
A terceira percepção é que os votos petistas, no auge do fenômeno Lula (2002), sem desgastes e com todo o gás, jogaram seu candidato (Fritsch) lá em cima, quase no segundo turno, mas ainda muito abaixo do primeiro colocado. Depois, em 2006, com o mesmo Fritsch, o patamar caiu novamente e pela metade e ficou dentro de uma lógica, considerado o quadro de 1998. Convenha-se, não são votos suficientes para conquistar o governo do Estado. E de lá para cá, nada de novo no front da República para mudar o quadro.
Agora é de se raciocinar: Ângela terá os mesmos desgastes de Esperidião na consideração do eleitor? Ideli superará o patamar histórico? Raimundo sobrepujará a frustração de tantos peemedebistas, feridos pelo fato de, pela primeira vez em oito eleições, não terem um candidato ao governo?
A chave desta eleição pode estar nas negatividades de um lado e outro, mas ainda é certo que esse baralho tem uma carta importante, apesar de pisoteado em seus brios: Leonel Pavan pode mudar o rumo da eleição, bastando ir pra cá ou pra lá ou simplesmente calar e parar.