Pois vem aí o Carnamboriú 2010, com uma programação como nunca teve: com horários definidos, espaços determinados e atrações conhecidas.
No passado, em todos os governos, o carnaval local passou por altos e baixos, ora muito baixo e ora muito alto, mas jamais se estabilizou.
Lembro do Magalhães iniciando o Bloco do Paris (Paris Club) e dali partindo para a Escola de Samba, que durou pouco por falta de apoio e de estímulo. O Magalhães se "virou nos trinta" muito tempo e solitariamente. Quem mais o ajudou foi o então vereador Antônio Santa, por ser carioca, por ser sensível e por ser um carnavalesco inveterado.
Tivemos até uma Liga Carnavalesca, arquibancada com camarotes, lembram disso? Pois é. Na época, imaginei que, finalmente, tínhamos atingido a maioridade carnavalesca. Ledo engano. Lembro que comprei um ingresso numerado na arquibancada e, quando cheguei, a arquibancada estava tomada por gente que sequer havia adquirido ingresso.
Os camarotes eram improvisadíssimos e vulneráveis. No ano seguinte, não tivemos nada. Num ano, tudo. No outro, nada.
Houve carnavais em que se convidou para vir aqui uma ala, com a bateria, da Protegidos da Princesa, a escola preferida do Pavan em Florianópolis. Numa dessas ocasiões, fiquei envergonhado e com pena deles - e conheço alguns -, jogados à margem da Avenida, defronte ao Centro de Cultura, aguardando a vez para entrar, no meio da população, sem ter como se organizar e sem ninguém para orientá-los. Nem uma aguinha ou um cafezinho ofereceram para eles ali.
Depois, vieram muitos "carnavais", resumidos, a bem de toda a pura verdade, à saga do Bloco Mexe-Mexe, este sim a marca indelével da folia de Balneário Camboriú, no qual desfilei algumas vezes, fantasiado com minha mulher. Bons tempos, aqueles. Ali, prevalece a garra do Zeca Despachante e sua turma, muitos ainda por lá, ensinando a fazer carnaval. É preciso mantê-los e valorizá-los.
Neste ano, há um calendário; há uma agenda dos desfiles; sabe quando, quem e como; o prefeito Piriquito contratou shows nacionais com grupos famosos, mas não escapa à crítica da "breguice" e coisas por aí.
Continua na minha tese de que, para ser Balneário Camboriú, mesmo no carnaval, a cidade não precisaria de estimular o carnaval como atrativo de turismo. O pessoal vem de qualquer jeito, aproveitando o feriadão. Mas se for pra fazer, que se faça bem feito. O deste ano está bem feito, na minha opinião. Pode ser melhor e, segundo Pirica, será.
O que louvo é que há um esforço do prefeito em fazer, ele não se omite, vai atrás. Mesmo ao custo anunciado de R$ 700 mil, para toda a estrutura montada e a vinda dos grupos de artistas nacionais.
Vai ser criticado por isso, mas seria de qualquer forma e mais impiedosamente se nada fizesse. E aí seria pior. Ser criticado por fazer é mais doce.