O embate político entre o governo de Edson Piriquito (PMDB) e seus opositores (PSDB, principalmente) tende a ir muito longe. E vai ser sangrento, no sentido político.
Incensados pela adversidade da derrota indesejada e inesperada de 2008, os líderes e vereadores tucanos, aliados a PP e DEM (José Carlos Hannibal e Orlando Angioletti), decidiram atucanar (ironia ornitológica) a vida do prefeito, negando-lhe estribo na cavalgada em direção à normalidade administrativa.
Rigorosamente, impedem-no de concretizar metas de realizações. Ou rejeitando-as de plano, ou massacrando-as com exceções de todo tipo, entravando o andamento. Caso típico da Guarda Municipal ou do Projeto Segundo Tempo e, mais recentemente, da implantação dos banheiros públicos na orla.
Nunca antes se negou à cidade, à guisa de adversidade político-partidária, tantas coisas importantes. Bom dizer: nem no tempo do vereador Piriquito e seus rompantes de raiva, conhecidos e reconhecidos.
O vice-governador ignora olimpicamente a cidade e seu prefeito, exceto nos casos de autonomia de sua função. Instigado sobre o assunto, Pavan argumenta que precisa ser procurado. A intenção é boa, mas não há iniciativa e sequer acenos que plenifiquem essa possibilidade, de parte dele. Imagina-se que, sendo ele o líder em uma posição mais elevada e com maiores poderes para se fazer presente na cidade em termos de obras e serviços, bom seria que mobilizasse suas hostes para aproximar-se do prefeito, ainda que - e seria só isso - apenas para assegurar a relação administrativa entre estado e município e ponto final. Desnecessárias juras de amor.
Foi muito ruim o entrevero entre ambos, direto ou via acólitos, através da imprensa, com demonstrações de desapreço, inclusive ético.
Os vereadores seguem o mestre. Cumprem seu papel. Péssimo para a cidade, sem dúvida, mas enfim, cumprem-no.
Na política há muitos caminhos possível de serem palmilhados, no objetivo da harmonia em favor de um bem maior. Que o digam os nordestinos, que se engalfinham ferozmente nas liças eleitorais e, no entanto, se combinam como queijo e marmelada na hora de arrancar benefícios para a região.
Que o digam o presidente Lula e seus mais fortes e principais aliados de hoje, algozes de ontem. Alinhar seus nomes é inútil. O leitor sabe melhor do que nós quem são.
O que isto prova? Que há espaços para recuar, reconsiderar, refazer conceitos, superar adversidades pessoais, desde que haja uma finalidade superior.
Voltando à temática local sobre o embate político local, ante as renitências da oposição, a base aliada do prefeito e o governo preparam uma série de ações, visando mostrar o outro lado da moeda: a exigência de atitude ética e o caráter de eficiência e seriedade administrativa.
O líder do governo, vereador Claudir Maciel (PPS), anunciou em meu programa de rádio, ao lado do vereador Dão Koeddermann (PSDB), ambos convidados para falar sobre a CPI do Santa Inês e os recursos para a saúde municipal, que está em andamento processo de investigação - e pode ser CPI - para conhecer os meandros da Compur e sua falência financeira, o mercado dos aditivos às empreiteiras e uma investigação profunda nos valores de obras licitadas na administração anterior, além de muitas outras questões que suscitaram discussões e dúvidas e nunca foram levantadas.
Pretende o governo ferir os adversários com o mesmo ferro.